{"id":1128,"date":"2023-10-31T04:26:11","date_gmt":"2023-10-31T07:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=1128"},"modified":"2023-10-31T04:26:13","modified_gmt":"2023-10-31T07:26:13","slug":"deficientes-fisicos-que-trabalham-tem-vida-mais-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=1128","title":{"rendered":"Deficientes f\u00edsicos que trabalham t\u00eam vida mais feliz"},"content":{"rendered":"<p>Gilson de Souza DANIEL                  (Cascavel Pr Brazil)<\/p>\n<p>Ter trabalhado durante a vida \u00e9 extremamente positivo na experi\u00eancia de vida de quem tem defici\u00eancia f\u00edsica.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos resultados da tese de doutorado A experi\u00eancia do envelhecer com defici\u00eancia f\u00edsica: uma abordagem fenomenol\u00f3gica realizada por Jos\u00e9 Alves Martins na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica (FSP) da USP. O estudo tamb\u00e9m concluiu a aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas para deficientes f\u00edsicos idosos.<\/p>\n<p>A pesquisa foi qualitativa com abordagem fenomenol\u00f3gica. A fenomenologia busca compreender a ess\u00eancia do ser. No caso deste estudo, compreender a experi\u00eancia de ser uma pessoa idosa com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma entrevista fenomenol\u00f3gica, que faz parte da metodologia e pode durar at\u00e9 tr\u00eas horas.<\/p>\n<p>\u00c9 um discurso colhido no cotidiano da vida.<\/p>\n<p>A pessoa projeta valores, representa\u00e7\u00f5es, costumes, significados e sentidos.<\/p>\n<p>A partir das suas viv\u00eancias, ela projetou tudo isso e no discurso dela \u00e9 poss\u00edvel identificar esses significados\u201d.<\/p>\n<p>Os 15 participantes foram selecionados na rede de cadastros da Associa\u00e7\u00e3o dos Deficientes de Mato Grosso.<\/p>\n<p>Como crit\u00e9rio, eles deviam ter 60 anos de idade ou mais e a defici\u00eancia f\u00edsica n\u00e3o podia ter sido adquirida ap\u00f3s os 40 anos, com o intuito de incluir apenas pessoas com longo tempo de experi\u00eancia na defici\u00eancia f\u00edsica, antes da velhice.<\/p>\n<p>Percebeu-se que quem acessou o mercado de trabalho teve uma vida mais inclusiva, chegando \u00e0 velhice com uma identidade social e coletiva melhor desenvolvida.<\/p>\n<p>\u201cTinha autoestima melhor, um sentimento de que ela n\u00e3o era uma incapacitada, porque trabalhava, produzia, contribuia com a sociedade. Ao se comparar com uma pessoa n\u00e3o deficiente, ela n\u00e3o sentia tanto o impacto do estigma quanto \u00e0queles que n\u00e3o conseguiram acessar o mercado de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da inclus\u00e3o social, o trabalho tamb\u00e9m gera renda, o que contribuiu para melhores condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas. Por essa raz\u00e3o, \u00e9 fundamental o desenvolvimento de pol\u00edticas de inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia no mercado de trabalho, inclusive as idosas.<\/p>\n<p>O pesquisador explica que n\u00e3o existem pol\u00edticas p\u00fablicas para esse segmento da popula\u00e7\u00e3o. \u201cEncontramos pessoas vivendo \u00e0 margem da sociedade, em isolamento social, fora de todo o alcance dos dispositivos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00eam institui\u00e7\u00f5es para eles, nem pol\u00edticas sociais e de sa\u00fade para esse segmento\u201d. Segundo Martins, os informantes apresentavam identidade quanto pessoa muito deteriorada, por conta de todo o estigma enfrentado durante a vida. \u201cEla n\u00e3o se encaixa no padr\u00e3o corporal socialmente aceit\u00e1vel. Ent\u00e3o, ela carrega isso na identidade\u201d.<\/p>\n<p>Outra percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que, ao envelhecer, a pessoa que vive com defici\u00eancia tem uma dupla carga de mobilidade reduzida. Isso porque ela sempre conviveu com uma parte do corpo lesionada, mas agora, a parte n\u00e3o lesionada envelheceu.<\/p>\n<p>\u201cEla conseguia empurrar a cadeira de rodas porque tinha bra\u00e7os fortes. No envelhecimento, n\u00e3o tem mais. Ent\u00e3o, sofre-se essa dupla carga de mobilidade reduzida.<\/p>\n<p>Isso dificulta ainda mais o acesso aos dispositivos sociais\u201d.<\/p>\n<p>A n\u00e3o adapta\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos tamb\u00e9m colabora para a redu\u00e7\u00e3o da mobilidade. As pra\u00e7as, os parques e as ruas necessitam sofrer modifica\u00e7\u00f5es, para facilitar o avan\u00e7o do decl\u00ednio f\u00edsico.<\/p>\n<p>O modelo de reabilita\u00e7\u00e3o utilizado foca na recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica do paciente. Quando percebe-se que o caso n\u00e3o tem mais revers\u00e3o com fisioterapia, ele \u00e9 desligado do servi\u00e7o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 uma viol\u00eancia institucional muito grande. Quando voc\u00ea desliga essas pessoas do servi\u00e7o, elas ficam lidando com todas adversidades sem o amparo do Estado\u201d.<\/p>\n<p>O pesquisador ressalta que existem garantias legais, como a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o, de que os deficientes f\u00edsicos acessem todos os n\u00edveis de aten\u00e7\u00e3o na sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cUma pessoa como eu n\u00e3o espera mais nada da vida\u201d<\/p>\n<p>Uma das perguntas da pesquisa fenomenol\u00f3gica era \u201cO que voc\u00ea espera para o futuro?\u201d Os informantes demonstraram aus\u00eancia de perspectiva na velhice e uma percep\u00e7\u00e3o da finitude como inevit\u00e1vel. Segundo Martins, as respostas eram \u201cnulas\u201d, com alguns relatando estarem esperando apenas o fim da vida. \u201cN\u00e3o tem mais esperan\u00e7a, n\u00e3o aposta em mais nada, n\u00e3o conta mais com os servi\u00e7os, com a sociedade e com os dispositivos p\u00fablicos para melhorar a vida deles\u201d.<\/p>\n<p>\u201cElas n\u00e3o podem ser esquecidas dos servi\u00e7os e das redes porque envelheceram\u201d, afirma Jos\u00e9 Martins.<\/p>\n<p>Rede informal de apoio<\/p>\n<p>Existe uma rede informal de apoio social, que \u00e9 o apoio da fam\u00edlia e dos amigos, que \u00e9 forte e duradoura. \u201cEssa rede que se formou em torno dessa pessoa \u00e9 muito mais forte e muito mais ben\u00e9fica do que a rede formal institu\u00edda pelo setor p\u00fablico. N\u00f3s com os nossos centros de reabilita\u00e7\u00f5es, com fisioterapeutas, assistentes sociais, psic\u00f3logos, n\u00e3o fazemos a metade do que uma rede informal faz\u201d. Martins explica que a vizinha que faz compras no mercado, por exemplo, faz parte dessa rede de apoio informal.<\/p>\n<p>\u201cEssa rede informal est\u00e1 longe dos olhos da rede de servi\u00e7os de sa\u00fade. \u00c9 preciso criar redes de servi\u00e7os que se comunique e dialogue com a rede informal nas comunidades para fazer a inclus\u00e3o dessas pessoas, ainda que envelhecidas\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a sociedade brasileira tem uma d\u00edvida hist\u00f3rica com esse segmento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 importante pesquisar a respeito: \u201c\u00c9 preciso reparar as injusti\u00e7as que essas pessoas vivem.<\/p>\n<p>E o melhor caminho \u00e9 o da pesquisa, para desvelar essa realidade e a partir da compreens\u00e3o dela, poder propor pol\u00edticas p\u00fablicas mais socialmente aceit\u00e1veis e que consigam incluir essas pessoas\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o:Gilson de Souza DANIEL<br \/>\nFonte:AUM-Agencia Universitaria de Noticias\/Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilson de Souza DANIEL (Cascavel Pr Brazil) Ter trabalhado durante a vida \u00e9 extremamente positivo na experi\u00eancia de vida de quem tem defici\u00eancia f\u00edsica. 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