{"id":629,"date":"2023-07-19T15:21:00","date_gmt":"2023-07-19T18:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=629"},"modified":"2023-07-21T03:35:56","modified_gmt":"2023-07-21T06:35:56","slug":"terminologia-sobre-deficiencia-na-era-da-inclusao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=629","title":{"rendered":"Terminologia sobre Defici\u00eancia na Era da Inclus\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gilson de Souza DANIEL   (Cascavel &#8211; Pr &#8211; Brazil)<\/p>\n<p>Usar ou n\u00e3o usar termos t\u00e9cnicos corretamente n\u00e3o \u00e9 uma mera quest\u00e3o sem\u00e2ntica ou sem import\u00e2ncia, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. E a terminologia correta \u00e9 especialmente importante quando abordamos assuntos tradicionalmente eivados de preconceitos, estigmas e estere\u00f3tipos, como \u00e9 o caso das defici\u00eancias que v\u00e1rios milh\u00f5es de pessoas possuem no Brasil.<\/p>\n<p>Os termos s\u00e3o considerados corretos em fun\u00e7\u00e3o de certos valores e conceitos vigentes em cada sociedade e em cada \u00e9poca. Assim, eles passam a ser incorretos quando esses valores e conceitos v\u00e3o sendo substitu\u00eddos por outros, o que exige o uso de outras palavras. Estas outras palavras podem j\u00e1 existir na l\u00edngua falada e escrita, mas, neste caso, passam a ter novos significados. Ou ent\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas especificamente para designar conceitos novos. O maior problema decorrente do uso de termos incorretos reside no fato de os conceitos obsoletos, as ideias equivocadas e as informa\u00e7\u00f5es inexatas serem inadvertidamente refor\u00e7ados e perpetuados.<\/p>\n<p>Este fato pode ser a causa da dificuldade ou excessiva demora com que o p\u00fablico leigo e os profissionais mudam seus comportamentos, racioc\u00ednios e conhecimentos em rela\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e0 situa\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia. O mesmo fato tamb\u00e9m pode ser respons\u00e1vel pela resist\u00eancia contra a mudan\u00e7a de paradigmas, como o que est\u00e1 acontecendo, por exemplo, na mudan\u00e7a que vai da \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d para a \u201cinclus\u00e3o\u201d em todos os sistemas sociais comuns.<\/p>\n<p>Trata-se, pois, de uma quest\u00e3o da maior import\u00e2ncia em todos os pa\u00edses. Existe uma literatura consideravelmente grande em v\u00e1rias l\u00ednguas. No Brasil, tem havido tentativas de levar ao p\u00fablico a terminologia correta para uso na abordagem de assuntos de defici\u00eancia a  fim de que desencorajemos pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias e construamos uma verdadeira sociedade inclusiva.<\/p>\n<p>A seguir, apresentamos v\u00e1rias express\u00f5es incorretas seguidas de coment\u00e1rios e dos equivalentes termos corretos, frases corretas e grafias corretas, com o objetivo de  subsidiar o trabalho de estudantes leito de qualquer grau do sistema educacional, pessoas com defici\u00eancia e familiares, profissionais de diversas \u00e1reas (reabilita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, m\u00eddia, esportes, lazer etc.), que necessitam falar e escrever sobre assuntos de pessoas  com  defici\u00eancia no seu dia a dia. Ouvimos e\/ou lemos esses termos incorretos em livros, revistas, jornais, programas de televis\u00e3o e de r\u00e1dio, apostilas, reuni\u00f5es, palestras e aulas.<\/p>\n<p>A enumera\u00e7\u00e3o de cada express\u00e3o incorreta servir\u00e1 para direcionar o leitor de uma express\u00e3o para outra quando os coment\u00e1rios forem os mesmos para diferentes express\u00f5es (ou pertinentes entre si), evitando-se desta forma a repeti\u00e7\u00e3o dos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>Onde houver a indica\u00e7\u00e3o \u201cConsultar\u201d, o leitor poder\u00e1 procurar a respectiva fonte nas Refer\u00eancias fornecidas no final deste texto.<\/p>\n<p>1.    adolescente normal<br \/>\nDesejando referir-se a um adolescente (uma crian\u00e7a ou um adulto) que n\u00e3o possua uma defici\u00eancia, muitas pessoas usam as express\u00f5es \u201cadolescente normal\u201d, \u201ccrian\u00e7a normal\u201d e \u201cadulto normal\u201d. Isto acontecia muito no passado, quando a desinforma\u00e7\u00e3o e o preconceito a respeito de pessoas com defici\u00eancia eram de tamanha magnitude que a sociedade acreditava  na normalidade das pessoas sem defici\u00eancia. Esta cren\u00e7a fundamentava-se na id\u00e9ia de que  era anormal a pessoa que tivesse uma defici\u00eancia. A normalidade, em rela\u00e7\u00e3o a pessoas, \u00e9 um conceito question\u00e1vel e ultrapassado. TERMOS CORRETOS: adolescente [ou crian\u00e7a ou adulto] sem defici\u00eancia; adolescente [ou crian\u00e7a ou adulto] n\u00e3o-deficiente.<\/p>\n<p>2.    aleijado; defeituoso; incapacitado; inv\u00e1lido<br \/>\nEstes termos eram utilizados com frequ\u00eancia at\u00e9 a d\u00e9cada de 80. A partir de 1981, por influ\u00eancia do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, come\u00e7a-se a escrever e falar pela primeira vez a express\u00e3o \u201cpessoa deficiente\u201d. O acr\u00e9scimo da palavra \u201cpessoa\u201d, passando o voc\u00e1bulo \u201cdeficiente\u201d para a fun\u00e7\u00e3o de adjetivo, foi uma grande novidade na \u00e9poca. No in\u00edcio, houve rea\u00e7\u00f5es de surpresa e espanto diante da palavra \u201cpessoa\u201d: \u201cPuxa, os deficientes s\u00e3o pessoas?!\u201d. Aos poucos, entrou em uso a express\u00e3o \u201cpessoa portadora de defici\u00eancia\u201d, frequentemente reduzida para \u201cportadores de defici\u00eancia\u201d. Por volta da metade da d\u00e9cada de 90, entrou em uso o TERMO CORRETO pessoas com defici\u00eancia, que permanece at\u00e9 os dias de hoje. Consultar SASSAKI (2003). Ver os itens 48 e 49.<\/p>\n<p>3.    \u201capesar de deficiente, ele \u00e9 um \u00f3timo aluno\u201d<br \/>\nNa frase acima h\u00e1 um preconceito embutido: \u2018A pessoa com defici\u00eancia n\u00e3o pode ser um \u00f3timo aluno\u2019. FRASE CORRETA: \u201cele tem defici\u00eancia e \u00e9 um \u00f3timo aluno\u201d.<\/p>\n<p>4.    \u201caquela crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 inteligente\u201d<br \/>\nTodas as pessoas s\u00e3o inteligentes, segundo a Teoria das Intelig\u00eancias M\u00faltiplas. At\u00e9 o presente, foi comprovada a exist\u00eancia de nove tipos de intelig\u00eancia: l\u00f3gico-matem\u00e1tica, verbal-lingu\u00edstica, interpessoal, intrapessoal, musical, naturalista, corporal-cinest\u00e9sica e visual-espacial (GARDNER, 2000). Consultar ANTUNES (1998, 1999) e SASSAKI (2001). FRASE CORRETA: \u201caquela crian\u00e7a \u00e9 menos desenvolvida na intelig\u00eancia [por ex.] l\u00f3gico- matem\u00e1tica\u201d.<\/p>\n<p>5.    cadeira de rodas el\u00e9trica<br \/>\nTrata-se de uma cadeira de rodas equipada com um motor. TERMO CORRETO: cadeira de rodas motorizada.<\/p>\n<p>6.    ceguinho<br \/>\nO  diminutivo  \u201cceguinho\u201d  denota  que  o  cego  n\u00e3o  \u00e9  tido  como  uma  pessoa completa. TERMOS CORRETOS: cego; pessoa cega; pessoa com defici\u00eancia visual. Ver o item 60.<\/p>\n<p>7.    classe normal<br \/>\nTERMOS CORRETOS: classe comum; classe regular. No futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastar\u00e1 o uso da palavra \u201cclasse\u201d sem adjetiv\u00e1-la. Ver os itens 26 e 52.<\/p>\n<p>8.    crian\u00e7a excepcional<br \/>\nTERMO CORRETO: crian\u00e7a com defici\u00eancia intelectual. \u201cExcepcionais\u201d foi o termo utilizado nas d\u00e9cadas de 50, 60 e 70 para designar pessoas com defici\u00eancia intelectual. Com o surgimento de estudos e pr\u00e1ticas educacionais nas d\u00e9cadas de 80 e 90 a respeito de altas habilidades ou talentos extraordin\u00e1rios, o termo \u201cexcepcionais\u201d passou a se referir tanto a pessoas com intelig\u00eancias m\u00faltiplas acima da m\u00e9dia (pessoas superdotadas ou com altas habilidades e g\u00eanios) quanto a pessoas com intelig\u00eancia l\u00f3gico-matem\u00e1tica abaixo da m\u00e9dia (pessoas com defici\u00eancia intelectual) &#8211; da\u00ed surgindo, respectivamente, os termos \u201cexcepcionais positivos\u201d e \u201cexcepcionais negativos\u201d, de rar\u00edssimo uso. Consultar SASSAKI (2003), SASSAKI (2006a) e SASSAKI (2006b).<\/p>\n<p>9.    defeituoso f\u00edsico<br \/>\n\u201cDefeituoso\u201d, \u201caleijado\u201d e \u201cinv\u00e1lido\u201d s\u00e3o palavras muito antigas e eram utilizadas com frequ\u00eancia at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 70. O termo \u201cdeficiente\u201d, quando usado como substantivo (por ex., o deficiente f\u00edsico), est\u00e1 caindo em desuso. TERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia f\u00edsica. Ver os itens 10 e 12.<\/p>\n<p>10.    defici\u00eancia f\u00edsica (como nome gen\u00e9rico englobando todos os tipos de defici\u00eancia).<br \/>\nTERMO CORRETO: defici\u00eancia (como nome gen\u00e9rico, sem especificar o tipo, mas referindo-se a todos os tipos). Alguns profissionais, n\u00e3o-familiarizados com o campo da reabilita\u00e7\u00e3o, acreditam que as defici\u00eancias f\u00edsicas s\u00e3o divididas em motoras, visuais, auditivas e mentais. Para eles, \u201cos deficientes f\u00edsicos\u201d s\u00e3o todas as pessoas que t\u00eam defici\u00eancia de qualquer tipo, o que \u00e9 um equ\u00edvoco. A defici\u00eancia f\u00edsica, propriamente dita, consiste na \u201caltera\u00e7\u00e3o completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da fun\u00e7\u00e3o f\u00edsica, apresentando-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputa\u00e7\u00e3o ou aus\u00eancia de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade cong\u00eanita ou adquirida, exceto as deformidades est\u00e9ticas e as que n\u00e3o produzam dificuldades para o desempenho de fun\u00e7\u00f5es\u201d (arts. 5\u00ba e 70, Decreto n\u00ba 5.296, 2\/12\/04). Consultar BRASIL (2004). Ver os itens 9 e 12.<\/p>\n<p>11.    defici\u00eancia mental leve, moderada, severa, profunda<br \/>\nTERMO CORRETO: defici\u00eancia intelectual (sem especificar n\u00edvel de comprometimento). A partir da Declara\u00e7\u00e3o de Montreal sobre Defici\u00eancia Intelectual, aprovada em 6\/10\/04  pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS, 2004), em conjunto com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan- Americana de Sa\u00fade (Opas), o termo \u201cdefici\u00eancia mental\u201d passou a ser \u201cdefici\u00eancia intelectual\u201d. Antes, em 1992, a ent\u00e3o Associa\u00e7\u00e3o Americana de Defici\u00eancia Mental  (AAMR, em ingl\u00eas) adotou uma nova conceitua\u00e7\u00e3o da defici\u00eancia intelectual (at\u00e9 ent\u00e3o denominada \u201cdefici\u00eancia mental\u201d), considerando-a n\u00e3o mais como um tra\u00e7o absoluto da pessoa que a tem e sim como um atributo que interage com o seu meio ambiente f\u00edsico e humano, o qual deve adaptar-se \u00e0s necessidades especiais dessa pessoa, provendo-lhe o apoio intermitente, limitado, extensivo ou permanente de que ela necessita para funcionar em 10 \u00e1reas de habilidades adaptativas: comunica\u00e7\u00e3o, autocuidado, habilidades sociais,  vida familiar, uso comunit\u00e1rio, autonomia, sa\u00fade e seguran\u00e7a, funcionalidade acad\u00eamica, lazer e trabalho. A AAMR, em reuni\u00e3o de novembro de 2006, decidiu que, a partir de 1\u00b0\/1\/07, passar\u00e1 a chamar-se Associa\u00e7\u00e3o Americana de Defici\u00eancias Intelectual e de Desenvolvimento (AAIDD, em ingl\u00eas). Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001). A classifica\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o \u201cdefici\u00eancia mental\u201d em leve, moderada, severa e profunda foi  institu\u00edda pela OMS em 1968 e perdurou at\u00e9 2004. Consultar BRASIL (2004), SASSAKI (2006a), SASSAKI (2006b) e SASSAKI (2007). Ver os itens 36 e 51.<\/p>\n<p>12.    deficiente f\u00edsico (ao se referir a pessoa com qualquer tipo de defici\u00eancia).<br \/>\nTERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia (sem especificar o tipo de defici\u00eancia). Ver os itens 9 e 10.<\/p>\n<p>13.    deficiente mental (ao se referir a uma pessoa com transtorno mental)<br \/>\nTERMOS CORRETOS: pessoa com transtorno mental, paciente psiqui\u00e1trico. Consultar a lei sobre os direitos das pessoas com transtorno mental, em BRASIL (2001) e SASSAKI (2006b).<\/p>\n<p>14.    deficiente ps\u00edquico (ou psicossocial)<br \/>\nTERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia psicossocial. A categoria \u201cdefici\u00eancia psicossocial\u201d foi acrescentada junto \u00e0s categorias tradicionais (defici\u00eancias f\u00edsica, visual, auditiva, intelectual e m\u00faltipla) no texto da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia, adotada em 13\/12\/06 pela Assembleia Geral da ONU [ratificada com equival\u00eancia de emenda constitucional pelo Decreto Legislativo n. 186, de 9\/7\/08, e promulgada pelo Decreto n. 6.949, de 25\/8\/09]. Consultar SASSAKI (2011 e 2010).<\/p>\n<p>15.    doente mental (ao se referir a uma pessoa com defici\u00eancia intelectual)<br \/>\nTERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia intelectual (novo nome para \u201cdefici\u00eancia mental\u201d). O termo \u201cdeficiente\u201d, usado como substantivo (por ex.: o deficiente intelectual), tende a desaparecer, exceto em t\u00edtulos de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas por motivo de economia de espa\u00e7o. Consultar RIO DE JANEIRO (c. 2001), SASSAKI (2006a) e SASSAKI (2006b).<\/p>\n<p>16.    \u201cela \u00e9 cega, mas mora sozinha\u201d<br \/>\nNa frase acima h\u00e1 um preconceito embutido: \u2018Todo cego n\u00e3o \u00e9 capaz de morar sozinho\u2019. FRASE CORRETA: \u201cela \u00e9 cega e mora sozinha\u201d.<\/p>\n<p>17.    \u201cela \u00e9 retardada mental, mas \u00e9 uma atleta excepcional\u201d<br \/>\nNa frase acima h\u00e1 um preconceito embutido: \u2018Toda pessoa com defici\u00eancia mental n\u00e3o tem capacidade para ser atleta\u2019. FRASE CORRETA: \u201cela tem defici\u00eancia intelectual e se destaca como atleta\u201d.<\/p>\n<p>18.    \u201cela \u00e9 surda [ou cega], mas n\u00e3o \u00e9 retardada mental\u201d<br \/>\nA frase acima cont\u00e9m um preconceito: \u2018Todo surdo ou cego tem retardo mental\u2019. \u201cRetardada mental\u201d, \u201cretardamento mental\u201d e \u201cretardo mental\u201d s\u00e3o termos do passado. O adjetivo \u201cmental\u201d, no caso de defici\u00eancia, mudou para \u201cintelectual\u201d a partir de 2004. Ver o item 12. FRASE CORRETA: \u201cela \u00e9 surda [ou cega] e n\u00e3o tem defici\u00eancia intelectual\u201d.<\/p>\n<p>19.    \u201cela foi v\u00edtima de paralisia infantil\u201d<br \/>\nA poliomielite j\u00e1 ocorreu (tempo passado) nesta pessoa (por isso, o verbo no passado: \u201cela teve p\u00f3lio\u201d). Enquanto a pessoa estiver viva, ela tem (verbo no presente) sequela de poliomielite. A palavra \u201cv\u00edtima\u201d provoca sentimento de piedade. FRASES CORRETAS: \u201cela teve [flex\u00e3o no passado] paralisia infantil\u201d e\/ou \u201cela tem [flex\u00e3o no presente] sequela de paralisia infantil\u201d.<\/p>\n<p>20.    \u201cela teve paralisia cerebral\u201d (ao se referir, no presente, a uma pessoa com paralisia cerebral)<br \/>\nA paralisa cerebral permanece com a pessoa por toda a vida. FRASE CORRETA: \u201cela tem paralisia cerebral\u201d.<\/p>\n<p>21.    \u201cele atravessou a fronteira da normalidade quando sofreu um acidente de carro e ficou deficiente\u201d<br \/>\nA  normalidade,  em rela\u00e7\u00e3o  a  pessoas,  \u00e9  um conceito  question\u00e1vel.  A palavra  \u201csofrer\u201d coloca a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: \u201cele teve um acidente de carro que o deixou com uma defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>22.    \u201dela foi v\u00edtima da p\u00f3lio\u201d<br \/>\nA palavra \u201cv\u00edtima\u201d provoca sentimento de piedade. TERMOS CORRETOS: p\u00f3lio; poliomielite; paralisia infantil. FRASE CORRETA: \u201cela teve p\u00f3lio\u201d.<\/p>\n<p>23.    \u201cele \u00e9 surdo-cego\u201d<br \/>\nGRAFIA CORRETA: \u201cele \u00e9 surdocego\u201d. Tamb\u00e9m podemos dizer ou escrever: \u201cele tem surdocegueira\u201d.  Ver o item 56.<\/p>\n<p>24.    \u201cele manca com bengala nas axilas\u201d<br \/>\nFRASE CORRETA: \u201cele anda com muletas axilares\u201d. No contexto coloquial, \u00e9 correto o uso do termo \u201cmuletante\u201d para se referir a uma pessoa que anda apoiada em muletas.<\/p>\n<p>25.    \u201cela sofre de paraplegia\u201d (ou \u201cde paralisia cerebral\u201d ou \u201cde sequela de poliomielite\u201d)<br \/>\nA palavra \u201csofrer\u201d coloca a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtima e, por isso, provoca sentimentos de piedade. FRASE CORRETA: \u201cela tem paraplegia\u201d [ou \u201cparalisia cerebral\u201d ou \u201csequela de poliomielite\u201d].<\/p>\n<p>26.    escola normal<br \/>\nNo futuro, quando todas as escolas se tornarem inclusivas, bastar\u00e1 o uso da  palavra \u201cescola\u201d sem adjetiv\u00e1-la. TERMOS CORRETOS: escola comum; escola regular.  Ver  os itens 7 e 52.<\/p>\n<p>27.    \u201cesta fam\u00edlia carrega a cruz de ter um filho deficiente\u201d<br \/>\nNesta frase h\u00e1 um estigma embutido: \u201cFilho deficiente \u00e9 um peso morto para a fam\u00edlia\u201d. FRASE CORRETA: \u201cesta fam\u00edlia tem um filho com defici\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>28.    \u201cinfelizmente, meu primeiro filho \u00e9 deficiente; mas o segundo \u00e9 normal\u201d<br \/>\nA normalidade, em rela\u00e7\u00e3o a pessoas, \u00e9 um conceito question\u00e1vel, ultrapassado. E  a palavra \u201cinfelizmente\u201d reflete o que a m\u00e3e pensa da defici\u00eancia do primeiro filho: \u201cuma coisa ruim\u201d. FRASE CORRETA: \u201ctenho dois filhos: o primeiro tem defici\u00eancia e o segundo n\u00e3o tem\u201d.<\/p>\n<p>29.    int\u00e9rprete do LIBRAS<br \/>\nTERMOS CORRETOS: int\u00e9rprete da Libras; int\u00e9rprete de Libras. GRAFIA CORRETA: Libras e n\u00e3o LIBRAS (como aparece na legisla\u00e7\u00e3o). Libras \u00e9 sigla de l\u00edngua de sinais brasileira: Li = l\u00edngua de sinais, bras = brasileira. \u201cLibras \u00e9 um termo consagrado pela comunidade surda brasileira, e com o qual ela se identifica. Ele \u00e9 consagrado pela tradi\u00e7\u00e3o e \u00e9 extremamente querido por ela. A manuten\u00e7\u00e3o deste termo indica nosso profundo respeito para com as tradi\u00e7\u00f5es deste povo a quem desejamos ajudar e promover, tanto por raz\u00f5es humanit\u00e1rias quanto de consci\u00eancia social e cidadania. Entretanto, no \u00edndice lingu\u00edstico internacional os idiomas naturais de todos os povos do planeta recebem uma sigla de tr\u00eas  letras como, por exemplo, ASL (American Sign Language). Ent\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio chegar \u00e0 outra sigla. Tal preocupa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o parece ter chegado na esfera do Brasil\u201d, segundo CAPOVILLA (2001). \u00c9 igualmente aceita a sigla LSB (L\u00edngua de Sinais Brasileira). A rigor, na grafia por extenso, quando se tratar da disciplina L\u00edngua de Sinais Brasileira, escreve-se  em mai\u00fasculo a letra inicial de cada uma dessas palavras. Mas, quando se referir ao substantivo composto, grafa-se \u201cl\u00edngua de sinais brasileira\u201d, tudo em caixa baixa. Ver os itens 32, 33 e 34.<\/p>\n<p>30.    inv\u00e1lido (quando se referir a uma pessoa que tenha uma defici\u00eancia)<br \/>\nA palavra \u201cinv\u00e1lido\u201d significa \u201csem valor\u201d. Assim eram consideradas as pessoas com defici\u00eancia desde a Antiguidade at\u00e9 o final da Segunda Guerra Mundial. TERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>31.    lepra; leproso; doente de lepra<br \/>\nTERMOS CORRETOS: hansen\u00edase; pessoa com hansen\u00edase; doente de hansen\u00edase. Prefira a express\u00e3o \u201cas pessoas com hansen\u00edase\u201d ao termo \u201cos hansenianos\u201d. A Lei n\u00ba 9.010, de 29\/3\/95, pro\u00edbe a utiliza\u00e7\u00e3o da palavra \u201clepra\u201d e seus derivados, na linguagem empregada nos documentos oficiais. Alguns dos termos derivados e suas respectivas vers\u00f5es oficiais s\u00e3o: \u201cleprologia (hansenologia), leprologista (hansenologista), lepros\u00e1rio ou leproc\u00f4mio (hospital de dermatologia), lepra lepromatosa (hansen\u00edase virchoviana), lepra tubercul\u00f3ide (hansen\u00edase tubercul\u00f3ide), lepra dimorfa (hansen\u00edase dimorfa), lepromina (ant\u00edgeno de Mitsuda), lepra indeterminada (hansen\u00edase indeterminada)\u201d. A palavra \u201chansen\u00edase\u201d deve ser pronunciada com o \u201ch\u201d mudo [como em haras, haste, harpa]. Consultar BRASIL (1995). Mas, pronuncia- se o nome Hansen (do m\u00e9dico e bot\u00e2nico noruegu\u00eas Armauer Gerhard Hansen, descobridor  da bact\u00e9ria da hansen\u00edase em 1873) com o \u201ch\u201d aspirado.<\/p>\n<p>32.    LIBRAS &#8211; Linguagem Brasileira de Sinais<br \/>\nGRAFIA CORRETA: Libras. TERMO CORRETO: l\u00edngua de sinais brasileira. Trata-se de uma l\u00edngua e n\u00e3o de uma linguagem. Segundo CAPOVILLA (comunica\u00e7\u00e3o pessoal), \u201cL\u00edngua de Sinais Brasileira \u00e9 prefer\u00edvel a L\u00edngua Brasileira de Sinais por uma s\u00e9rie imensa de raz\u00f5es. Uma das mais importantes \u00e9 que L\u00edngua de Sinais \u00e9 uma unidade, que se refere a uma modalidade ling\u00fc\u00edstica quiroarticulat\u00f3ria-visual e  n\u00e3o  oroarticulat\u00f3ria-auditiva. Assim, h\u00e1 L\u00edngua de Sinais Brasileira porque \u00e9 a l\u00edngua de sinais desenvolvida e empregada pela comunidade surda brasileira. N\u00e3o existe uma L\u00edngua Brasileira, de sinais ou falada\u201d. Observe-se a express\u00e3o correta no t\u00edtulo do livro Dicion\u00e1rio Enciclop\u00e9dico Tril\u00edngue da L\u00edngua de Sinais Brasileira, v. I e II (CAPOVILLA &amp; RAPHAEL, 2001). Ver os itens 29, 33 e 34.<\/p>\n<p>33.    l\u00edngua dos sinais<br \/>\nTERMO CORRETO: l\u00edngua de sinais. Trata-se de uma l\u00edngua viva e, por isso, novos sinais sempre surgir\u00e3o: a quantidade total de sinais n\u00e3o pode ser definitiva. Da\u00ed a express\u00e3o correta \u201cl\u00edngua de sinais\u201d e n\u00e3o \u201cl\u00edngua dos sinais\u201d. Ver os itens 29, 32 e 34.<\/p>\n<p>34.    linguagem de sinais<br \/>\nTERMO CORRETO: l\u00edngua de sinais. A comunica\u00e7\u00e3o sinalizada dos e com os surdos constitui um l\u00edngua e n\u00e3o uma linguagem. J\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o por gestos, envolvendo ou n\u00e3o pessoas surdas, constitui uma \u201clinguagem gestual\u201d. Outra aplica\u00e7\u00e3o do conceito de linguagem se refere ao que as posturas e atitudes humanas comunicam n\u00e3o-verbalmente, tamb\u00e9m conhecido como a \u201clinguagem corporal\u201d. Ver os itens 29, 32 e 33.<\/p>\n<p>35.    Louis Braile<br \/>\nGRAFIA CORRETA: Louis Braille. O criador do sistema de escrita e impress\u00e3o para cegos foi o educador franc\u00eas Louis Braille (1809-1852), que era cego. Ver os itens 53 e 54.<\/p>\n<p>36.    mongol\u00f3ide; mongol<br \/>\nTERMOS CORRETOS: pessoa com s\u00edndrome de Down; crian\u00e7a com Down; uma crian\u00e7a Down. As palavras \u201cmongol\u201d e \u201cmongol\u00f3ide\u201d refletem o preconceito racial da comunidade cient\u00edfica do s\u00e9culo 19. Em 1959, os franceses descobriram que a s\u00edndrome de Down era um acidente gen\u00e9tico. O termo \u201cDown\u201d vem de John Langdon Down, nome do m\u00e9dico ingl\u00eas que identificou a s\u00edndrome em 1866. \u201cA s\u00edndrome de Down \u00e9 uma das anomalias cromoss\u00f4micas mais frequentes encontradas e, apesar disso, continua envolvida em id\u00e9ias err\u00f4neas&#8230; Um dos momentos mais importantes no processo de adapta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia que tem uma crian\u00e7a com s\u00edndrome de Down \u00e9 aquele em que o diagn\u00f3stico \u00e9 comunicado aos pais, pois esse momento pode ter grande influ\u00eancia em sua rea\u00e7\u00e3o posterior.\u201d (MUSTACCHI, 2000). Consultar Projeto Down (s\/d). Ver os itens 11 e 51.<\/p>\n<p>37.    mudinho<br \/>\nQuando se refere ao surdo, a palavra \u201cmudo\u201d n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade dessa pessoa. O diminutivo \u201cmudinho\u201d denota que o surdo n\u00e3o \u00e9 tido como uma pessoa completa. TERMOS CORRETOS: surdo; pessoa surda; pessoa com defici\u00eancia auditiva. H\u00e1 casos de pessoas que ouvem (portanto, n\u00e3o s\u00e3o surdas), mas t\u00eam um dist\u00farbio da fala (ou defici\u00eancia da fala) e, em decorr\u00eancia disso, n\u00e3o falam. Ver os itens 47, 57 e 58.<\/p>\n<p>38.    necessidades educativas especiais<br \/>\nTERMO CORRETO: necessidades educacionais especiais. \u201cA palavra \u201ceducativo\u201d significa \u201calgo que educa\u201d. Ora, necessidades n\u00e3o educam; elas s\u00e3o educacionais, ou seja, concernentes \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d (SASSAKI, 1999). O termo \u201cnecessidades educacionais especiais\u201d foi adotado pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o \/ C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2, de 11-9-01, com base no Parecer CNE\/CEB n\u00ba 17\/2001, homologado pelo MEC em 15\/8\/01). Esta Resolu\u00e7\u00e3o, durante o ano de 2005, estava sendo reformulada pelo CNE. Consultar CNE (2001) e SASSAKI (2006a).<\/p>\n<p>39.    o epil\u00e9tico (ou a pessoa epil\u00e9tica)<br \/>\nTERMOS CORRETOS: a pessoa com epilepsia; a pessoa que tem epilepsia. Evite as express\u00f5es \u201co epil\u00e9tico\u201d, \u201ca pessoa epil\u00e9tica\u201d e suas flex\u00f5es em g\u00eanero e n\u00famero.<\/p>\n<p>40.    o incapacitado (ou a pessoa incapacitada)<br \/>\nTERMO CORRETO: a pessoa com defici\u00eancia. A palavra \u201cincapacitado\u201d \u00e9 muito antiga e era utilizada com frequ\u00eancia at\u00e9 a d\u00e9cada de 80. Evite os termos \u201co incapacitado\u201d, \u201ca pessoa incapacitada\u201d e suas flex\u00f5es em g\u00eanero e n\u00famero.<\/p>\n<p>41.    o paralisado cerebral (ou a pessoa paralisada cerebral)<br \/>\nTERMO CORRETO: a pessoa com paralisia cerebral. Evite as express\u00f5es \u201co paralisado cerebral\u201d, \u201ca pessoa paralisada cerebral\u201d e suas flex\u00f5es em g\u00eanero e n\u00famero.<\/p>\n<p>42.    \u201cparalisia cerebral \u00e9 uma doen\u00e7a\u201d<br \/>\nFRASE CORRETA: \u201cparalisia cerebral \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o\u201d. Muitas pessoas confundem \u2018doen\u00e7a\u2019 com \u2018defici\u00eancia\u2019.<\/p>\n<p>43.    pessoa normal<br \/>\nTERMOS CORRETOS: pessoa sem defici\u00eancia; pessoa n\u00e3o-deficiente. A normalidade, em rela\u00e7\u00e3o a pessoas, \u00e9 um conceito question\u00e1vel e ultrapassado.<\/p>\n<p>44.    pessoa presa (confinada, condenada) a uma cadeira de rodas<br \/>\nTERMOS CORRETOS: pessoa em cadeira de rodas; pessoa que anda em cadeira de rodas; pessoa que usa cadeira de rodas. Os termos \u201cpresa\u201d, \u201cconfinada\u201d e \u201ccondenada\u201d provocam sentimentos de piedade. No contexto coloquial, \u00e9 correto o uso dos termos \u201ccadeirante\u201d e \u201cchumbado\u201d.<\/p>\n<p>45.    pessoas ditas deficientes<br \/>\nTERMO CORRETO: pessoas com defici\u00eancia. A palavra \u201cditas\u201d, neste caso, funciona como eufemismo para negar ou suavizar a defici\u00eancia, o que \u00e9 preconceituoso.<\/p>\n<p>46.    pessoas ditas normais<br \/>\nTERMOS CORRETOS: pessoas sem defici\u00eancia; pessoas n\u00e3o-deficientes. Neste caso, o termo \u201cditas\u201d \u00e9 utilizado para contestar a normalidade das pessoas, o que se torna redundante nos dias de hoje.<\/p>\n<p>47.    pessoa surda-muda<br \/>\nGRAFIAS CORRETAS: pessoa surda ou, dependendo do caso, pessoa com defici\u00eancia auditiva. Quando se refere ao surdo, a palavra \u201cmudo\u201d n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade dessa pessoa. Diferencia-se entre \u201cdefici\u00eancia auditiva parcial\u201d (perda de 41 decib\u00e9is) e \u201cdefici\u00eancia auditiva total\u201d (ou surdez, cuja perda \u00e9 superior a 41 decib\u00e9is), perdas essas aferidas por audiograma nas frequ\u00eancias de 500Hz, 2.000Hz e 3.000Hz, segundo o Decreto n\u00ba 5.296, de 2\/12\/05, arts. 5\u00ba e 70 (BRASIL, 2005). Ver os itens 37, 57 e 58.<\/p>\n<p>48.    portador de defici\u00eancia<br \/>\nTERMO CORRETO: pessoa com defici\u00eancia. No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo \u201cportador de defici\u00eancia\u201d (e suas flex\u00f5es no feminino e no plural). Pessoas com defici\u00eancia v\u00eam ponderando que elas n\u00e3o portam defici\u00eancia; que a defici\u00eancia que elas t\u00eam n\u00e3o \u00e9 como coisas que \u00e0s vezes portamos e \u00e0s  vezes n\u00e3o portamos (por exemplo, um documento de identidade, um guarda-chuva). O termo preferido passou a ser \u201cpessoa com defici\u00eancia\u201d. Aprovados ap\u00f3s debate mundial, os termos \u201cpessoa com defici\u00eancia\u201d e \u201cpessoas com defici\u00eancia\u201d s\u00e3o utilizados no texto da Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia, adotada em 13\/12\/06 pela Assembl\u00e9ia Geral da ONU [ratificada com equival\u00eancia de emenda constitucional pelo Decreto Legislativo n. 186, de 9\/7\/08, e promulgada pelo Decreto n. 6.949, de 25\/8\/09]. Consultar ONU (2006) e SASSAKI (2003). Ver os itens 2 e 49.<\/p>\n<p>49.    PPD\u2019s<br \/>\nGRAFIA CORRETA: PPD (tanto no singular como no plural). N\u00e3o se usa ap\u00f3strofo para designar o plural de siglas. A mesma regra vale para siglas como ONG (e n\u00e3o ONG\u2019s). No Brasil, tornou-se bastante popular, acentuadamente entre 1986 e 1996, o uso do termo \u201cpessoas portadoras de defici\u00eancia\u201d. Hoje, o termo preferido passou a ser \u201cpessoas com defici\u00eancia\u201d, motivando o desuso da sigla \u201cPPD\u201d. Devemos evitar o uso de siglas em seres humanos. Mas, torna-se necess\u00e1rio usar siglas em circunst\u00e2ncias pontuais, como em gr\u00e1ficos, quadros, colunas estreitas, manchetes de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas etc. Nestes casos, a sigla recomendada \u00e9 PcD, significando \u201cpessoa com defici\u00eancia\u201d ou  \u201cpessoas com defici\u00eancia\u201d. Esta constru\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma que est\u00e1 sendo um consenso atualmente em \u00e2mbito mundial. Em espanhol: PcD (persona con discapacidad), tanto no singular como no plural, sem  necessidade do \u201cs\u201d ap\u00f3s PcD. Em ingl\u00eas: PwD, tamb\u00e9m invari\u00e1vel em n\u00famero (person with a disability, persons with disabilities, people with disabilities). Consultar SASSAKI (2003). Ver os itens 2 e 48.<\/p>\n<p>50.    quadriplegia; quadriparesia<br \/>\nTERMOS CORRETOS: tetraplegia; tetraparesia. No Brasil, o elemento morfol\u00f3gico \u201ctetra\u201d tornou-se mais utilizado que o \u201cquadri\u201d. Ao se referir \u00e0 pessoa, prefira o termo pessoa com tetraplegia (ou \u201ccom tetraparesia\u201d) no lugar de \u201co tetrapl\u00e9gico\u201d ou \u201co tetrapar\u00e9tico\u201d. Consultar BRASIL (2004).<\/p>\n<p>51.    retardo mental, retardamento mental<br \/>\nTERMO CORRETO: defici\u00eancia intelectual. S\u00e3o pejorativos os termos \u201cretardado mental\u201d, \u201cmongol\u00f3ide\u201d, \u201cmongol\u201d, \u201cpessoa com retardo mental\u201d, \u201cportador de retardamento mental\u201d, \u201cportador de mongolismo\u201d etc. Tornaram-se obsoletos, desde 1968, os termos: \u201cdefici\u00eancia mental dependente\u201d (ou \u201ccustodial\u201d), \u201cdefici\u00eancia mental trein\u00e1vel\u201d (ou \u201cadestr\u00e1vel\u201d) e defici\u00eancia mental educ\u00e1vel. Ver os itens 11 e 36.<\/p>\n<p>52.    sala de aula normal<br \/>\nTERMO CORRETO: sala de aula comum. Quando todas as escolas forem inclusivas, bastar\u00e1 o termo \u201csala de aula\u201d sem adjetiv\u00e1-lo. Ver os itens 7 e 26.<\/p>\n<p>53.    sistema inventado por Braile<br \/>\nGRAFIA CORRETA: sistema inventado por Braille. O nome Braille (de Louis Braille, inventor do sistema de escrita e impress\u00e3o para cegos) se escreve com dois l (letra \u00e9le). Braille nasceu em 1809 e morreu aos 43 anos de idade. Ver os itens 35, 54 e 59.<\/p>\n<p>54.    sistema Braille<br \/>\nGRAFIA CORRETA: sistema braile. Conforme MARTINS (1990), grafa-se Braille somente quando se referir ao educador Louis Braille. Por ex.: \u201cA casa onde Braille passou a inf\u00e2ncia (&#8230;)\u201d. Nos demais casos, devemos grafar: [a] braile (m\u00e1quina braile, rel\u00f3gio braile, dispositivo eletr\u00f4nico braile, sistema braile, biblioteca braile etc.) ou [b] em braile (escrita em braile, card\u00e1pio em braile, placa met\u00e1lica em braile, livro em braile, jornal em braile, texto em braile etc.). NOTA: Em 10\/7\/05, a Comiss\u00e3o Brasileira do Braille (CBB) recomendou a grafia \u201cbraille\u201d, com \u201cb\u201d min\u00fasculo e dois \u201cl\u201d (letra \u00e9le), respeitando a forma original francesa, internacionalmente empregada (DUTRA, 2005), exceto quando nos referirmos ao educador Louis Braille. Ver os itens 35, 53 e 59.<\/p>\n<p>55.    \u201csofreu um acidente e ficou incapacitado\u201d<br \/>\nFRASE CORRETA: \u201cteve um acidente e ficou deficiente\u201d. A palavra \u201csofrer\u201d coloca a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtima e, por isso, provoca sentimentos de piedade.<\/p>\n<p>56.    surdez-cegueira; surdo-cegueira<br \/>\nGRAFIA CORRETA: surdocegueira. No que se refere \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o das (e com) pessoas surdocegas, existem a Libras t\u00e1til (Libras na palma das m\u00e3os) ou o tadoma (pessoa surdocega coloca sua m\u00e3o no rosto do interlocutor, com o polegar tocando suavemente o l\u00e1bio inferior e os outros dedos pressionando levemente as cordas vocais). O m\u00e9todo tadoma foi utilizado pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1926, quando Sophia Alcorn conseguiu comunicar-se com os surdocegos Tad e Oma, nomes que deram origem \u00e0 palavra \u201ctadoma\u201d. Ver o item 23.<\/p>\n<p>57.    surdinho<br \/>\nTERMOS CORRETOS: surdo; pessoa surda; pessoa com defici\u00eancia auditiva. O diminutivo \u201csurdinho\u201d denota que o surdo n\u00e3o \u00e9 tido como uma pessoa completa. Os pr\u00f3prios cegos gostam de ser chamados \u201ccegos\u201d e os surdos de \u201csurdos\u201d, embora eles n\u00e3o descartem os termos \u201cpessoas cegas\u201d e \u201cpessoas surdas\u201d. Ver os itens 37, 47 e 58.<\/p>\n<p>58.    surdo-mudo<br \/>\nGRAFIAS CORRETAS: surdo; pessoa surda; pessoa com defici\u00eancia auditiva. Quando  se refere ao surdo, a palavra \u201cmudo\u201d n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade dessa pessoa. Ver os itens 37, 47 e 57.<\/p>\n<p>59.    texto (ou escrita, livro, jornal, card\u00e1pio, placa met\u00e1lica) em Braille<br \/>\nGRAFIAS CORRETAS: texto em  braile; escrita  em  braile; livro  em  braile; jornal  em braile; card\u00e1pio em braile; placa met\u00e1lica em braile. Consultar DUTRA (2005). Ver NOTA no item 54.<\/p>\n<p>60.    vis\u00e3o sub-normal<br \/>\nGRAFIA CORRETA: vis\u00e3o subnormal. TERMO CORRETO: baixa vis\u00e3o.  Existem  quatro condi\u00e7\u00f5es de defici\u00eancia visual: 1. cegueira (acuidade visual \u00e9 igual ou menor que  0,05 no melhor olho, com a melhor corre\u00e7\u00e3o \u00f3ptica); 2. baixa vis\u00e3o (acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor corre\u00e7\u00e3o \u00f3ptica); 3. casos cuja somat\u00f3ria da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60\u00ba; 4. ocorr\u00eancia simult\u00e2nea de quaisquer das condi\u00e7\u00f5es anteriores, de acordo com o Decreto n\u00ba 5.296, de 2\/12\/04, arts. 5\u00ba e 70 (BRASIL, 2004). Consultar SASSAKI (2006a). Ver o item 6.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>ANTUNES, Celso. Jogos para a estimula\u00e7\u00e3o das m\u00faltiplas intelig\u00eancias. 3.ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1999.<br \/>\n. As intelig\u00eancias m\u00faltiplas e seus est\u00edmulos. Campinas: Papirus, 1998. BRASIL. Decreto n\u00ba 5.296, 2\/12\/04, arts. 5\u00ba e 70 (Lei da Acessibilidade).<br \/>\n. Lei n\u00ba 10.216, 6\/4\/01 (Lei do Transtorno Mental).<br \/>\n. Lei federal n\u00ba 9.010, 29\/3\/95 (Lei da Hansen\u00edase).<br \/>\nCAPOVILLA, Fernando C\u00e9sar. Comunica\u00e7\u00e3o pessoal por e-mail em 6\/6\/01.<br \/>\nCAPOVILLA, Fernando C\u00e9sar, RAPHAEL, Walkiria Duarte. Dicion\u00e1rio enciclop\u00e9dico tril\u00edng\u00fce da l\u00edngua de sinais brasileira, v. I e II. S\u00e3o Paulo: Edusp, 2001.<br \/>\nCENTRO  DE  INFORMA\u00c7\u00c3O  E  PESQUISA  DA  S\u00cdNDROME  DE  DOWN.  Voc\u00ea     diz mongol\u00f3ide ou mongol. N\u00f3s dizemos s\u00edndrome de Down. Seus amigos preferem cham\u00e1- lo de Bruno. Folheto do Projeto Down -. S\u00e3o Paulo, s\/d.<br \/>\nCONSELHO NACIONAL DE EDUCA\u00c7\u00c2O. Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2, 11\/9\/01, e Parecer n\u00ba 17, de 3\/7\/01.<br \/>\nDUTRA, Claudia Pereira. Parecer sobre a grafia da palavra \u201cbraille\u201d. Benjamin Constant, Rio de Janeiro, ano 11, n\u00ba 31, agosto 2005, p. 27.<br \/>\nGARDNER, Howard. Intelig\u00eancia: um conceito reformulado [Intelligence reframed]. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.<br \/>\nGOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Identificando o aluno com defici\u00eancia mental: Crit\u00e9rios e par\u00e2metros. Rio de Janeiro: Coordena\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Especial, s\/d (c. 2001)<br \/>\nMARTINS, Eduardo. Manual de reda\u00e7\u00e3o e estilo. S\u00e3o Paulo: O Estado de S.Paulo, 1990, p.313.<br \/>\nMUSTACCHI, Zan. S\u00edndrome de Down. In: MUSTACCHI, Zan, PERES, Sergio. Gen\u00e9tica baseada em evid\u00eancias: s\u00edndromes e heran\u00e7as. S\u00e3o Paulo: CID, 2000, p. 880.<br \/>\nOMS. Declara\u00e7\u00e3o de Montreal sobre Defici\u00eancia Intelectual. Montreal, Canad\u00e1, 4-6 outubro 2004.<br \/>\nONU. Conven\u00e7\u00e3o sobre os Direitos das Pessoas com Defici\u00eancia. Nova York: Na\u00e7\u00f5es  Unidas, 2006.<br \/>\nPROJETO DOWN. Voc\u00ea diz mongol\u00f3ide ou mongol. N\u00f3s dizemos s\u00edndrome de Down. Seus amigos preferem cham\u00e1-lo de Bruno. S\u00e3o Paulo: Centro de Informa\u00e7\u00e3o e Pesquisa da S\u00edndrome de Down, s\/d. (folheto)<br \/>\nRIO DE JANEIRO. Identificando o aluno com defici\u00eancia mental: crit\u00e9rios e par\u00e2metros.  Rio de Janeiro: Coordena\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Especial, Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado do Rio de Janeiro, c. 2001.<br \/>\nSASSAKI, Romeu Kazumi. Incluindo pessoas com defici\u00eancia psicossocial \u2013 Parte 2. Revista Rea\u00e7\u00e3o, ano XIV, n. 79, mar.\/abr. 2011, p.12-19.<br \/>\n. Incluindo pessoas com defici\u00eancia psicossocial\u2013 Parte 1. Revista Rea\u00e7\u00e3o, ano XIV, n.78, jan.\/fev. 2011, p.10-14.<br \/>\n. Defici\u00eancia psicossocial: A nova categoria de defici\u00eancia. Agenda do Portador de Efici\u00eancia 2011, Bloco 2, p. 13-16, 2010.<br \/>\n. Defici\u00eancia intelectual e inclus\u00e3o. Revista Rea\u00e7\u00e3o, ano X, n. 54, jan.\/fev 2007, p. 8-11, e n. 55, mar.\/abr. 2007, p. 8-10.<br \/>\n. Inclus\u00e3o: construindo uma sociedade para todos. 8.ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.<br \/>\n. Quest\u00f5es sem\u00e2nticas sobre as defici\u00eancias visual e intelectual na perspectiva inclusiva. S\u00e3o Paulo, 2006a.<br \/>\n. Defici\u00eancia mental ou intelectual? Doen\u00e7a ou transtorno mental? Atualiza\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas na inclus\u00e3o de pessoas. S\u00e3o Paulo, 2006b.<br \/>\n. Intelig\u00eancias m\u00faltiplas na educa\u00e7\u00e3o inclusiva. S\u00e3o Paulo, 2001 (apostila de curso).<br \/>\n. Portadores de defici\u00eancia ou pessoas com defici\u00eancia? Recife: Encontr\u00e3o 2000. (evento realizado em 3 a 6 de setembro de 2000). S\u00e3o Paulo, julho de 2003.<br \/>\n. Vocabul\u00e1rio usado pela m\u00eddia: O certo e o errado. Recife, 2000 (apostila de curso).<br \/>\n. Como chamar as pessoas que t\u00eam defici\u00eancia. S\u00e3o Paulo: RNR, 2003.<br \/>\n. A educa\u00e7\u00e3o especial e a leitura para o mundo: A m\u00eddia. Campinas, 1997 (apostila de palestra).<\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p>* Consultor de inclus\u00e3o social e autor dos livros Inclus\u00e3o: Construindo uma Sociedade para Todos (7.ed., Rio de Janeiro: WVA, 2006) e Inclus\u00e3o no Lazer e Turismo: em busca da qualidade de vida (S\u00e3o Paulo, \u00c1urea 2003). E-mail: romeukf@uol.com.br<\/p>\n<p>NOTAS<br \/>\n(1) Esta \u00e9 a vers\u00e3o atualizada em 2011.<br \/>\n(2) A primeira vers\u00e3o deste artigo foi publicada na Revista Nacional de Reabilita\u00e7\u00e3o (Rea\u00e7\u00e3o), S\u00e3o Paulo, ano V, n. 24, jan.\/fev. 2002, p. 6-9; e tamb\u00e9m no livro M\u00eddia e Defici\u00eancia, de Veet Vivarta (org.), Bras\u00edlia: Ag\u00eancia de Not\u00edcias dos Direitos da Inf\u00e2ncia \/ Funda\u00e7\u00e3o Banco do Brasil, 2003, p. 160-165.<br \/>\nDestaques<\/p>\n<p>Carta de Servi\u00e7os de Acessibilidade<br \/>\nCartilha &#8211; Como construir um ambiente acess\u00edvel nas organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas<br \/>\nGuia de Eventos Presenciais com Acessibilidade<br \/>\nAro Magn\u00e9tico na C\u00e2mara<\/p>\n<p>57\u00aa Legislatura &#8211; 1\u00aa<br \/>\nEdi\u00e7\u00e3o: Gilson de Souza DANIEL<br \/>\nFonte: Camara Legislativa\/Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilson de Souza DANIEL (Cascavel &#8211; Pr &#8211; Brazil) Usar ou n\u00e3o usar termos t\u00e9cnicos corretamente n\u00e3o \u00e9 uma mera quest\u00e3o sem\u00e2ntica ou sem import\u00e2ncia, se desejamos falar ou escrever construtivamente, numa perspectiva inclusiva, sobre qualquer assunto de cunho humano. &hellip; <a href=\"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=629\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-629","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=629"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/629\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":630,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/629\/revisions\/630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}