{"id":892,"date":"2023-09-12T06:38:19","date_gmt":"2023-09-12T09:38:19","guid":{"rendered":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=892"},"modified":"2023-09-12T06:38:20","modified_gmt":"2023-09-12T09:38:20","slug":"deficiente-preconceituoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=892","title":{"rendered":"Deficiente Preconceituoso"},"content":{"rendered":"<p>CLEOdomira Soares dos Santos      (Cascavel &#8211; Pr &#8211; Brazil)<\/p>\n<p>Ei&#8230; J\u00e1 te contei que eu n\u00e3o tenho um pingo de d\u00f3 das PESSOAS COM DEFICI\u00caNCIA?<\/p>\n<p>Espero ter usado a \u201cTER-MI-NO-LO-GI-A\u201d correta e super solicitada pelos aleijados, surdos, cegos, cadeirantes, pernetas, corcundas, \u201ccotoquinhos\u201d da vida, mas que exigem o uso adequado da formalidade que define sistematicamente a rotula\u00e7\u00e3o e a designa\u00e7\u00e3o de conceitos particulares a um ou v\u00e1rios assuntos e campos de atividade do universo paralelo dos super seres humanos com mobilidade reduzida f\u00edsica, intelectual ou sensorialmente.<\/p>\n<p>Apesar de uma parcela das PESSOAS COM DEFICI\u00caNCIA aqui da vizinha de \u201cBeraba\u201d n\u00e3o simpatizarem muito comigo pelo fato de eu me recusar ser tratado como o \u201csinh\u00f4\u201d dos direitos, soberano da luta pela acessibilidade, \u201cdivo\u201d dos discursos de aceita\u00e7\u00e3o, mestre dos debates sobre inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Fico EX-TRE-MA-MEN-TE contente e realizado em saber que tenho essa galera como leitores ass\u00edduos e que n\u00e3o perdem um textinho aqui do \u201cM\u00e3o na Roda\u201d. Mesmo que seja pra \u201cdescer a lenha\u201d, o importante \u00e9 participar.<\/p>\n<p>\u201cAmorecos\u201d e \u201camorecas\u201d do \u201cT\u00falindo\u201d, esse aleijado, paral\u00edtico, baixinho, coxo, cadeirante ou pessoa com defici\u00eancia que vos escreve, saibam que amo \u201ctus\u201d, cada um com sua chatice e defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Querendo ou n\u00e3o fa\u00e7o parte da sociedade \u201cdefeituosa\u201d de \u201cBerl\u00e2ndia\u201d, cidadezinha do Tri\u00e2ngulo Mineiro e considerada a capital da log\u00edstica. Resumindo, \u201ctamu junto\u201d pessoal.<\/p>\n<p>Mas deixe-me parar de encher lingui\u00e7a e come\u00e7ar nosso papo de hoje. Na verdade tem a ver um \u201ccadinho\u201d com a introdu\u00e7\u00e3o. Pessoas com preconceito. N\u00e3o.<\/p>\n<p>Pessoas com defici\u00eancia. Quero dizer, pessoas com defici\u00eancia e preconceito. Um combo completo e nada bonitinho.<\/p>\n<p>Seja sentado numa cadeira de rodas, usando \u00f3culos escuros e uma bengala, se comunicando atrav\u00e9s da linguagem brasileira de sinais (LIBRAS), fazendo uso de aparelho auditivo, andador ou qualquer mecanismo que o auxilie viver incluso na sociedade, uma pessoa com defici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 e nem deve ser tratada como um ser humano \u201cperfeito\u201d e sem mal\u00edcias.<\/p>\n<p>Muito menos ser isento de suas responsabilidades, deveres, ou ter amenizada qualquer tipo de puni\u00e7\u00e3o pelo fato do humano ser deficiente. N\u00c3O MESMO!<\/p>\n<p>Falo com propriedade sobre isso. Acredite. Conhe\u00e7o um deficiente cheio de marra e que adora uma \u201cencrenca\u201d. Na verdade acredito que voc\u00ea tamb\u00e9m conhe\u00e7a.<\/p>\n<p>Sabe um carinha moreno, baixinho, bonito pra caramba, inteligente, super humilde, t\u00edmido etc. e muito comunicativo? Claro que voc\u00ea conhece&#8230;<\/p>\n<p>Ele escreve pra um blog do G1 do tri\u00e2ngulo mineiro, um portal de not\u00edcias da Globo que se destaca pelo conte\u00fado multim\u00eddia, fazendo uma bela sacada aproveitando as vantagens da internet sobre os meios tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPutz\u201d&#8230; Al\u00e9m de deficiente f\u00edsico acho que estou com outro problema. Como assim eu estou me descrevendo perguntando se voc\u00ea me conhece como amigo do eu amigo meu. Eu hein!<\/p>\n<p>Enfim, depois eu trato isso. O que quero conversar com voc\u00ea \u00e9 que eu ou qualquer deficiente, somos cidad\u00e3os iguais a TODOS os seres humanos, temos graves defeitos, muitas frescuras e n\u00e3o me toques, somos indisciplinados em algumas coisas, entojados em outras.<\/p>\n<p>E acredite, temos preconceito. Por exemplo, euzinho sou um cadeirante hiper preconceituoso, a diferen\u00e7a \u00e9 que eu assumo isso. Ponto.<\/p>\n<p>Eu tenho uma birra das associa\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es, conselhos, superintend\u00eancias, secretarias, ONGs que lidam com assuntos das e com as pessoas com defici\u00eancia, pois afirmo que seus dirigentes, volunt\u00e1rios, profissionais superprotegem seus associados, pacientes deficientes.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 \u201crecorri\u201d a alguns lugares desse naipe aqui na cidade. L\u00e1 eles usam \u201cmetodologias\u201d com a cultura de superestimar as pessoas com defici\u00eancias pregando a prote\u00e7\u00e3o e garantias dos direitos expressos na lei pra esse p\u00fablico. Seria tudo muito bacana, se dentro dessas metodologias fossem repassadas explicitamente os deveres, obriga\u00e7\u00f5es, responsabilidades que acompanham o \u201cpacotinho\u201d dos direitos.<\/p>\n<p>O preconceito expl\u00edcito que devoto as PESSOAS COM DEFICI\u00caNCIA, justifico afirmando que essas pessoas lutam, brigam, fazem uma algazarra na conquista e defesa de seus direitos, mas como orientados, protegidos, amadinhos e supervalorizados daquelas institui\u00e7\u00f5es que formam deficientes, essas pessoinhas maravilhosamente \u201cdefeituosas\u201d ignoram a bendita lista de deveres. Por exemplo, eles brigam, levantam bandeiras, fazem den\u00fancias, cedem entrevistas, escrevem textos do tamanho do universo em redes sociais sobre a luta para ingressarem no mercado de trabalho, mas quando conseguem sentem-se no direito de serem relapsos em seus empregos, faltando sem justificativa plaus\u00edvel \u2013 sempre colocando a defici\u00eancia a frente de qualquer desculpa \u2013, justificam n\u00e3o baterem a meta, pois \u00e9 muito pra eles, sempre chegam atrasados alegando defeito no \u00f4nibus adaptado, inventam mil e uma desculpas quando seus chefes decidem puni-los ou demiti-los, a\u00ed n\u00e3o satisfeitos s\u00e3o experts em mover a\u00e7\u00f5es trabalhistas. Complicando a vida do empregador e seus corespons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A\u00ed quando deficientes nada \u201cmimizentos\u201d, conscientes de suas obriga\u00e7\u00f5es, procuram os mesmos empregadores em busca de uma vaga e s\u00e3o contratados, precisam provar que n\u00e3o est\u00e3o ali pra ser mais um n\u00famero na cota pra o minist\u00e9rio do trabalho, dia a dia ralam e lidam com seus chefes sobre a d\u00favida do \u201cse\u201d podem ou conseguem assumir um cargo de lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>Tenho preconceito contra as PESSOAS que exigem sem necessidade o uso da terminologia \u201cpessoas com defici\u00eancias\u201d, pois acredito que a melhor terminologia pra tratar qualquer pessoa deficiente ou n\u00e3o, \u00e9 o nome escrito no RG de cada um. Por exemplo, o Jo\u00e3ozinho que \u00e9 uma pessoa com defici\u00eancia f\u00edsica pode muito bem ser chamado apenas de senhor \u201cJo\u00e3o Kadeir Ante de Sousa, ou Jo\u00e3ozinho\u201d.<\/p>\n<p>Por que a Paulete mobilete que tamb\u00e9m \u00e9 uma pessoa com defici\u00eancia f\u00edsica, precisamente por ter a perna esquerda dez cent\u00edmetros menor que a direita, n\u00e3o pode ser \u201ctratada\u201d apenas como \u201cPaula Soares Mank Ueba\u201d? A Flor que \u00e9 uma pessoa com defici\u00eancia auditiva pode muito bem ser tratada exclusivamente como \u201cFlorinda Assurda da Silva\u201d. A \u201cMariana Quena Dafala Afonso\u201d \u00e9 muda, ou seja, uma pessoa com defici\u00eancia auditiva, mas nada impede de ser chamada apenas de \u201cMari\u201d etc&#8230;<\/p>\n<p>Eu, T\u00falio Mendhes, o blogueirinho querido da sociedade sem defici\u00eancia e dos deficientes hiper normais e que sentem avers\u00e3o por \u201cmimimi\u201d, sou extremamente preconceituoso com o pensamento de qualquer ser humano que acredita na exist\u00eancia de um super humano, atr\u00e1s de qualquer defici\u00eancia, seja um cadeirante, surdo, cego. Meu preconceito se deve a falta da resposta, por qu\u00ea? Sendo eu deficiente, e bem rodadinho por a\u00ed conhe\u00e7o locais com p\u00e9ssimas infraestruturas, falta de acessibilidade, por exemplo, vejo Uberl\u00e2ndia como uma cidade hostil, apesar de ser melhor que muitas aqui nas \u201cbandas\u201d de \u201cMinsgerais\u201d.<\/p>\n<p>Temos aus\u00eancia de rampas de acessibilidade em locais estrat\u00e9gicos como alguns pr\u00e9dios locados pela Prefeitura Municipal de Uberl\u00e2ndia, sofremos com a falta de banheiros adaptados, temos cal\u00e7adas irregulares, nosso transporte p\u00fablico \u00e9 altamente eficaz e acess\u00edvel, mas somente no papel, pois no dia a dia o que vemos \u00e9 falta de manuten\u00e7\u00e3o nos elevadores dos \u00f4nibus, falta de treinamento adequado e boa vontade de profissionais que lidam com o p\u00fablico deficiente&#8230;<\/p>\n<p>Enfim, temos muitos problemas, mas e a\u00ed? Por isso eu devo me colocar no papel de v\u00edtima, minoria exclu\u00edda da sociedade, o coitado sem chance na selva? Devo encarnar o deficiente que obriga com hostilidade os empres\u00e1rios, funcion\u00e1rios, prestadores de servi\u00e7o p\u00fablico ou privado oferecerem adapta\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas de inclus\u00e3o etc?<\/p>\n<p>N\u00e3o seria mais f\u00e1cil o di\u00e1logo? Gente, bom senso! Eu compreendo que se existe a lei, a mesma deva ser cumprida. Mas acredito e defendo que o que deve ser cumprido \u00e9 o respeito m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Trazer o empres\u00e1rio pra cima da minha cadeira (figuradamente) e fazer com que ele perceba a dificuldade que o estabelecimento dele oferece aos deficientes por falta de acessibilidade, \u00e9 muito mais f\u00e1cil e menos estressante do que eu chamar a pol\u00edcia, denunciar na \u201ccasa dos incapacitados\u201d, bancar o exclu\u00eddo dos bistr\u00f4s, caf\u00e9s, cervejarias.<\/p>\n<p>Se depois de toda minha diplomacia pra resolver o problema, o bendito empreendedor se recusar a cumprir a lei&#8230; a\u00ed sim, eu fa\u00e7o \u201ccabane\u201d (barraco em franc\u00eas, mais chique), por\u00e9m com eleg\u00e2ncia e usando as ferramentas jur\u00eddicas, sociais, pol\u00edticas a meu favor. Aconteceu comigo&#8230;<\/p>\n<p>Fui na lanchonete e n\u00e3o tinha como eu entrar, pois um degrau de uns vinte cent\u00edmetros complicava as coisas. Fui insistente, chamei a balconista, disse que me indicaram a provar a melhor torta de frango, perto da faculdade. Afirmei que estava ali pra me esbaldar, mas a falta de adapta\u00e7\u00e3o me chateou, entretanto eu n\u00e3o iria embora sem comer a bendita torta.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a muito sol\u00edcita e consternada com a situa\u00e7\u00e3o (pois outros clientes presenciavam a cena), chamou um auxiliar e colocou a mesa na cal\u00e7ada pra eu comer junto com minha amiga. Comi, elogiei, afinal a indica\u00e7\u00e3o valeu a pena, e ressaltei que eu viraria cliente ass\u00edduo, pois eu encontrei a melhor torta de frango, perto da faculdade. A balconista, que tamb\u00e9m era filha da dona, a senhora que fazia as tortas&#8230;<\/p>\n<p>Garantiu-me que providenciaria uma rampa. Como n\u00e3o banquei o \u201cporre\u201d de cadeirante, ela ainda me perguntou onde seria o melhor local pra colocar a bendita rampa.<\/p>\n<p>Ahhhh e mais uma vez eu ganhei o lanche na faixa. Abri minha carteira e fiz quest\u00e3o de pagar, mas ela fez quest\u00e3o de n\u00e3o receber como pedido de desculpas. Obviamente que eu n\u00e3o insisti, seria falta de educa\u00e7\u00e3o (n\u00e3o ouse sorrir). Hoje eu posso frequentar o local sem nenhum problema. Mas ouvi um relato de que uma pessoa com defici\u00eancia, apaixonada pela terminologia \u201cpessoa com defici\u00eancia\u201d, fez um \u201cescarc\u00e9u\u201d simplesmente por ela ter que solicitar que colocassem a rampa pra ela entrar, pois a rampa providenciada \u00e0 base do altru\u00edsmo e respeito \u00e9 uma rampa m\u00f3vel de alum\u00ednio e, n\u00e3o fica o tempo inteiro na entrada, justamente por \u201catrapalhar\u201d o ir e vir das pessoas na cal\u00e7ada.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o queria sentir preconceito por esses seres humanos com defici\u00eancia, mas que s\u00e3o deselegantes, mal educados, hostis, grossos, praticam a \u201cadantefobia\u201d, \u201ccegofobia\u201d, \u201csurdofobia\u201d \u2013 j\u00e1 que tudo tem sido motivo de fobia, vou permitir-me praticar a \u201cCHATOFOBIA\u201d.<\/p>\n<p>E voc\u00ea, qual sua \u201cfobia\u201d?<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: CLEOdomira Soares dos Santos<br \/>\nFonte: tulio.mendhes@tvintegracao.com.br \/ maonaroda@tvintegracao.com.br\/Internet<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CLEOdomira Soares dos Santos (Cascavel &#8211; Pr &#8211; Brazil) Ei&#8230; J\u00e1 te contei que eu n\u00e3o tenho um pingo de d\u00f3 das PESSOAS COM DEFICI\u00caNCIA? 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