{"id":944,"date":"2023-09-23T01:32:00","date_gmt":"2023-09-23T04:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=944"},"modified":"2023-09-22T20:36:58","modified_gmt":"2023-09-22T23:36:58","slug":"retrospecto-historico-da-pessoa-com-deficiencia-na-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/grupogsd.com.br\/blog\/?p=944","title":{"rendered":"Retrospecto hist\u00f3rico da pessoa com defici\u00eancia na sociedade"},"content":{"rendered":"<p>Gilson de Souza DANIEL       (Cascavel Pr Brazil)<\/p>\n<p>Nos prim\u00f3rdios da humanidade n\u00e3o havia ainda meios de registros escritos, a respeito de como eram as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia das pessoas com defici\u00eancia, pois em grande parte das sociedades primitivas os enfermos e as pessoas com defici\u00eancia eram mortos ou abandonados. N\u00e3o se tem informa\u00e7\u00e3o exata a respeito de como viviam os homens neste per\u00edodo hist\u00f3rico ou como os deficientes eram considerados na sociedade.<\/p>\n<p>Se o que sabemos a respeito da vida humana na pr\u00e9-hist\u00f3ria \u00e9 pouco, menos ainda se sabe a respeito da exist\u00eancia ou n\u00e3o de pessoas com defici\u00eancias nesse per\u00edodo hist\u00f3rico da humanidade. Contudo, a hist\u00f3ria nos indica que o abandono era provavelmente a pr\u00e1tica mais comum.<\/p>\n<p>A defici\u00eancia vista no Egito Antigo<\/p>\n<p>No Egito Antigo, a pessoa com defici\u00eancia integrava-se nas diferentes e hierarquizadas classes sociais (fara\u00f3, nobres, altos funcion\u00e1rios, artes\u00e3os, agricultores, escravos), as pessoas com nanismo n\u00e3o tinham qualquer impedimento f\u00edsico para as suas ocupa\u00e7\u00f5es e of\u00edcios, principalmente de dan\u00e7arinos e m\u00fasicos. Os an\u00f5es eram empregados em casas de altos funcion\u00e1rios, situa\u00e7\u00e3o que lhes permitia honrarias e funerais dignos. No Antigo Egito os papiros contendo ensinamentos morais ressaltam a necessidade de se respeitar as pessoas com nanismo e com outras defici\u00eancias.<\/p>\n<p>A defici\u00eancia na Gr\u00e9cia Antiga<\/p>\n<p>Em Atenas, na Gr\u00e9cia Antiga, os rec\u00e9m-nascidos com alguma defici\u00eancia eram colocados em uma vasilha de argila e abandonados. Grandes pensadores como Plat\u00e3o em seu livro \u201cA Rep\u00fablica\u201d e Arist\u00f3teles no livro \u201cA Pol\u00edtica\u201d, trataram do planejamento das cidades gregas indicando que as pessoas nascidas com problemas deveriam ser eliminadas. A elimina\u00e7\u00e3o era por exposi\u00e7\u00e3o, abandono ou atiradas de uma cadeia de montanhas na Gr\u00e9cia. O exterm\u00ednio de crian\u00e7as com defici\u00eancias era t\u00e3o comum que, mesmo os maiores fil\u00f3sofos da \u00e9poca estavam de acordo com tal costume.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Esparta, onde o cidad\u00e3o pertencia ao Estado, os pais tinham o dever de apresentar seus filhos perante os magistrados em pra\u00e7a p\u00fablica, \u00e0s crian\u00e7as com defici\u00eancias eram consideradas subumanas, o que legitimava sua elimina\u00e7\u00e3o ou abandono, atitudes perfeitamente coerentes com os ideais atl\u00e9ticos e cl\u00e1ssicos que serviam de base \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o sociocultural dos espartanos.<\/p>\n<p>Dentre os poetas gregos o mais famoso \u00e9 Homero que, pelos relatos, era cego e teria vivido em \u00e9poca antes de Cristo e escreveu os belos poemas de Il\u00edada e Odisseia. Homero era cego e ningu\u00e9m pensa em se referir a ele como Homero o ceguinho, e sim se referem a Homero como um grande poeta, o maior poeta de todos os tempos, assim se diz, mas o fato de ser cego n\u00e3o \u00e9 significativo era um fato e ponto.<\/p>\n<p>Em Roma as leis n\u00e3o eram favor\u00e1veis \u00e0s pessoas que nasciam com defici\u00eancia, aos pais era permitido matar as crian\u00e7as com deformidades f\u00edsicas pela pr\u00e1tica do afogamento ou abandonavam seus filhos em cestos no Rio Tibre, os sobreviventes eram explorados nas cidades ou passavam a fazer parte de circos para o entretenimento dos homens ricos.<\/p>\n<p>O cristianismo e a rela\u00e7\u00e3o com a defici\u00eancia<\/p>\n<p>Quando surgiu o cristianismo ainda no Imp\u00e9rio Romano a doutrina combateu, dentre outras pr\u00e1ticas, a elimina\u00e7\u00e3o dos filhos nascidos com defici\u00eancia, nesse per\u00edodo \u00e9 que surgiram os primeiros hospitais de caridade que abrigavam indigentes e pessoas com defici\u00eancias.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da idade m\u00e9dia, os deficientes f\u00edsicos e mentais eram frequentemente vistos como possu\u00eddos pelo dem\u00f4nio e eram queimados como as bruxas. A popula\u00e7\u00e3o ignorante encarava o nascimento de pessoas com defici\u00eancia como castigo de Deus.<\/p>\n<p>Os supersticiosos viam nelas poderes especiais de feiticeiros ou bruxos. As crian\u00e7as que sobreviviam eram separadas de suas fam\u00edlias e quase sempre ridicularizadas, a literatura da \u00e9poca coloca os an\u00f5es e os corcundas como focos de divers\u00e3o dos mais ricos.<\/p>\n<p>A segrega\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia<\/p>\n<p>Depois passou a ser uma pr\u00e1tica comum na sociedade feudal a segrega\u00e7\u00e3o das pessoas com defici\u00eancias em hospitais ou asilos. Nos primeiros s\u00e9culos da idade m\u00e9dia, estas institui\u00e7\u00f5es eram mantidas basicamente pela Igreja. Apesar da exist\u00eancia dos hospitais e asilos, eles n\u00e3o eram em n\u00famero suficiente para atender a todos, por isso muitos ficavam perambulando pelas ruas ou eram aceitos por algumas fam\u00edlias por motivos supersticiosos ou ainda serviam como bobos da corte.<\/p>\n<p>Na Idade Moderna ocorreu a passagem de um per\u00edodo de extrema ignor\u00e2ncia para o nascer de novas ideias. Nos s\u00e9culos XIV, XVI e XVIII ocorreram grandes transforma\u00e7\u00f5es marcadas pelo humanismo. Gerolamo Cardomo (1501 a 1576), m\u00e9dico e matem\u00e1tico inventou um c\u00f3digo para ensinar pessoas surdas a ler e escrever, por meio de sinais.<\/p>\n<p>Esse m\u00e9todo contrariou o pensamento da sociedade da \u00e9poca que n\u00e3o acreditava que pessoas surdas pudessem ser educadas. No S\u00e9culo XV o reformador religioso Martinho Lutero afirmava que as pessoas portadoras de defici\u00eancia n\u00e3o possu\u00edam natureza humana e eram usadas por maus esp\u00edritos, bruxas, fadas e duendes e costumava dar ordem de afogar crian\u00e7as com defici\u00eancia mental.<\/p>\n<p>Durante os s\u00e9culos XVII e XVIII houve grande desenvolvimento no atendimento \u00e0s pessoas com defici\u00eancia em hospitais. Havia assist\u00eancia especializada em ortopedia para os mutilados das guerras e para pessoas cegas e surdas. Philippe Pinel (1745-1826) explicou que pessoas com perturba\u00e7\u00f5es mentais devem ser tratadas como doentes, ao contr\u00e1rio do que acontecia na \u00e9poca, quando eram trados com viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX Louis Braille (1809- 1852) criou o sistema de escrita \u201cBRAILLE\u201d usado por pessoas cegas at\u00e9 os dias de hoje. Foi no S\u00e9culo XIX com os reflexos das ideias humanistas da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa que se percebe que as pessoas com defici\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 precisavam de hospitais e abrigos, mas de aten\u00e7\u00e3o especializada. \u00c9 nesse per\u00edodo que se inicia a constitui\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es para estudar os problemas de cada defici\u00eancia.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o do Brasil na \u00e9poca do Imperador Dom Pedro II<\/p>\n<p>No Brasil o Imperador Dom Pedro II (1840-1889), cria o Imperial Instituto dos Meninos Cegos atualmente Instituto Benjamin Constant, tr\u00eas anos depois em 26 de setembro de 1857, o Imperador funda o Imperial Instituto de Surdos Mudos atualmente Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos \u2013 INES, que passou a atender pessoas surdas de todo o pa\u00eds, a maioria abandonada pelas fam\u00edlias.<br \/>\nNo S\u00e9culo XX por volta dos anos de 1902 at\u00e9 1912, j\u00e1 come\u00e7avam a perceber que as pessoas com defici\u00eancia precisavam participar ativamente do cotidiano e integrarem-se na sociedade.<\/p>\n<p>Como exemplo de pessoas com defici\u00eancia pode-se citar:<\/p>\n<p>Lu\u00eds de Cam\u00f5es (1524 a 1580), o poeta de \u201cOs Lus\u00edadas\u201d, perdeu a vis\u00e3o de um dos olhos, em batalha no Marrocos.<br \/>\nGalileu Galilei, f\u00edsico, matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo, em consequ\u00eancia de seu reumatismo, ficou cego nos \u00faltimos anos de sua vida, mas ativo em suas pesquisas cient\u00edficas.<br \/>\nSitua\u00e7\u00e3o semelhante foi vivida pelo astr\u00f4nomo alem\u00e3o Johannes Kepler (1571 a 1630), que tinha defici\u00eancia visual e desenvolveu estudos sobre o movimento dos planetas.<br \/>\nO 32\u00ba Presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, que era parapl\u00e9gico, embora n\u00e3o gostasse de ser fotografado em sua cadeira de rodas, contribuiu para uma nova vis\u00e3o da sociedade americana e mundial de que a pessoa com defici\u00eancia, com boas condi\u00e7\u00f5es de reabilita\u00e7\u00e3o, pode ter independ\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p>O impacto da sociedade<\/p>\n<p>Historicamente os indiv\u00edduos com defici\u00eancia t\u00eam sido caracterizados por diversos paradigmas no decorrer da hist\u00f3ria os quais resistem ao longo dos s\u00e9culos, tendo provocado consequ\u00eancias hist\u00f3ricas, pois \u00e9 mais f\u00e1cil prestar aten\u00e7\u00e3o aos impedimentos e \u00e0s apar\u00eancias do que aos potenciais e capacidades de tais pessoas.<\/p>\n<p>A estrutura das sociedades, desde os seus prim\u00f3rdios, sempre inabilitou os portadores de defici\u00eancia, marginalizando-os e privando-os de liberdade, essas pessoas sempre foram alvo de atitudes preconceituosas e a\u00e7\u00f5es impiedosas.<\/p>\n<p>Atualmente o que se percebe \u00e9 que mesmo com avan\u00e7os significativos no que se referem a quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas e legais as pessoas portadoras de defici\u00eancia ainda continuam \u00e0 margem da sociedade, sendo taxados como incapazes e improdutivos chamados por nomes pejorativos como: coitadinhos, pobrezinhos e tantos outros.<\/p>\n<p>Na realidade, o processo de inclus\u00e3o vai muito al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o de alunos com defici\u00eancia na escola dita regular ou na reserva de um percentual de vagas em concursos p\u00fablicos a serem ocupadas por candidatos com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que seja exigida uma mudan\u00e7a na estrutura social vigente, no sentido de se organizar uma sociedade que atenda aos interesses de todas as pessoas indiscriminadamente. Dessa forma, lutar a favor da inclus\u00e3o social deve ser responsabilidade de cada um e de todos coletivamente.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Gilson de Souza DANIEL<br \/>\nFonte: portal da educa\u00e7\u00e3o\/Internet<\/p>\n<p>Gostou do artigo? 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